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Quotes

Vínhamos falando da direção do Espírito Santo, de identificar nosso pensar e nosso querer com o pensar e o querer de Deus; mas alguém poderia perguntar: como conhecemos, em cada caso, o pensar e o querer de Deus? Como distinguimos o impulso do Espírito Santo de outras moções ou impulsos aos quais podemos estar submetidos? Em geral, podemos responder que também aqui há duas etapas. Na primeira, Deus nos fala multifariam multisque modis, “de muitas formas e de muitos modos”, como falou primeiramente a nossos pais; fala-nos por meio da Sagrada Escritura, dos livros espirituais, dos bons exemplos... e, sobretudo, por meio dos superiores, de dentro e de fora, especialmente do diretor espiritual, a quem tanto mais nos vamos submetendo — e, por seu intermédio, a Deus — quanto mais vamos renunciando a nós mesmos; e tudo isso é governado pela virtude infusa da prudência. Na segunda etapa, sem que desapareçam por completo esses meios de conhecer a vontade de Deus, acrescenta-se, numa ordem superior e mais íntima — quando já renunciamos completamente a nós mesmos —, o próprio Espírito Santo, que então, sem obstáculos, nos governa por meio de seus dons. Os santos adquirem, assim, um instinto tão seguro que os livra de todo erro no que diz respeito à salvação. E até mesmo em coisas que parecem ultrapassar seu alcance, veem mais e acertam melhor que os letrados e teólogos.

Rafael Meloadded by Rafael Melo·1d
Quotes

Nenhuma dessas forças atua no cristão de forma absolutamente exclusiva, mas sempre em combinação com as outras duas. Mesmo na prática, aquilo que fazemos ao longo da vida pode estar a serviço dos sentidos, da razão ou de Deus, conforme predomine em nós a animalidade, a razão ou a graça. E, conforme uma dessas forças prevalece, assim se orientam nossa vida e nossa conduta. Talvez se possa acrescentar que, às vezes, a razão parece não servir nem ao inferior nem ao superior, como quando se dedica às ciências, ao sensível ou ao sobrenatural por si mesmos. Mas isso não permanece assim: o homem sabe perfeitamente que não pode ser fim de si mesmo. Sente-se vazio. Não é fonte do bem nem da verdade. É um ser criado e ordenado ad alterum, a algo fora de si, cuja posse o completa e o torna feliz. Em rigor, foi criado para Deus, que é o Bem supremo; e, quando tende a outra coisa, é porque, atraído e iludido pela força da paixão, toma naquele momento algum bem parcial e passageiro pelo próprio Bem.

Rafael Meloadded by Rafael Melo·1d
Quotes

Temos, pois, no homem três princípios de operação: a animalidade, a razão e a graça. Cada um tende ao seu próprio objeto, e daí nasce a luta interior em que o homem vive, sem que possa alcançar a verdadeira paz senão na ordem perfeita, pela qual o inferior deve submeter-se ao superior, até que, morto para si mesmo — totalmente submetido —, o animal se submeta à razão, e a razão se entregue e se submeta totalmente a Deus. Convém ainda advertir que, antes mesmo de a graça entrar na alma, pode já haver nela algum elemento sobrenatural — sobretudo a fé — que exerça certa influência sobre suas ações e sua conduta. Podemos representar o homem, em suas ações, sua conduta e na direção de sua vida, como movido por um sistema de três forças. A primeira é a animalidade, uma força constante que o atrai para baixo, para o sensível, para a terra. A segunda é a razão, força espiritual e intermitente, que o conduz horizontalmente e procura ordená-lo. A terceira é o sobrenatural — a fé e a graça —, também intermitente, que o atrai e o impele para cima, para seu centro, para Deus. A animalidade atua continuamente porque tem algo de instintivo e até inconsciente, antecipando-se à nossa vontade e à nossa decisão livre. A razão, ao contrário, depende em grande parte do exercício da liberdade e, por isso, não atua continuamente. Também a fé e a graça operam em nós por meio da razão e da vontade.

Rafael Meloadded by Rafael Melo·1d
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A vida cristã toda se move no mistério.

Rafael Meloadded by Rafael Melo·1d
Quotes

O livro que tens nas mãos, leitor querido, é um livro de teologia. Mas não de teologia abstrata, senão viva e integral, que quer chegar a ser o livro da tua vida. Apresenta-te um ideal, o único ideal que pode e deve escrever-se com maiúscula: a posse de Deus; do próprio Deus, que se quer dar a ti por herança eterna. Marca-te um ideal, que é a santidade, que é a perfeição; um ideal que é a felicidade, aquela que buscas, aquela que desejas ardentemente e que de nenhuma outra coisa podes obter. A felicidade, essa única felicidade para a qual fomos criados, só pode ser, logicamente, o resultado da perfeição. Porque somente o perfeito alcança plenamente o seu fim. E, enfim, tem de ser em nós a felicidade aquilo a que toda a vida se ordena.

Rafael Meloadded by Rafael Melo·1d
Theses

Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em Ti.

Rafael Meloadded by Rafael Melo·1d
Theses

A civilização é o destino inevitável da cultura.

Rafael Meloadded by Rafael Melo·1d
Theses

Em toda grande questão política está sempre envolvida uma grande questão teológica.

Rafael Meloadded by Rafael Melo·1d
Quotes

O direito e a moral, depois de expulsarem Deus de seu campo, procuram ansiosamente um novo fundamento. Mas o que pode substituir aquele que é Cristo Jesus? Assim, tudo vacila, tudo entra em crise. Não o haviam anunciado, com olhar profético e lógica irrefutável, Domoso Cortés e Spengler, para citar apenas o primeiro e o último da série?

Rafael Meloadded by Rafael Melo·1d
Theses

Quanto mais a ciência avança, mais a religião perde espaço.

Rafael Meloadded by Rafael Melo·1d
Quotes

No mundo profano — nas ciências, na literatura, nas artes, no direito e na política — já não encontramos, como nos séculos XIII e XVI, uma atmosfera cristã, mas o contrário. Nos séculos XVIII e XIX, cada avanço da ciência foi transformado em arma contra a religião. E a política passou a ter, entre seus principais objetivos, de modo mais ou menos declarado, a descristianização dos povos.

Rafael Meloadded by Rafael Melo·1d
Quotes

A vida espiritual, a vida das almas que buscam a perfeição, também se desvirtuou. A ideia da mística foi falseada e, uma vez falseada, passou a ser combatida sem trégua nem descanso. Perdeu-se a noção da relação entre o natural e o sobrenatural e da missão própria de cada uma dessas ordens. No estudo da mística, deixou-se de lado aquilo que é verdadeiramente teológico, e os próprios autores católicos chegaram, por vezes, a deixar-se influenciar por autores racionalistas que, vendo na mística apenas certos epifenômenos, ou aspectos simplesmente acessórios — ou mesmo inteiramente estranhos a ela —, acabaram por reduzi-la a um capítulo da psicologia experimental dos histéricos ou dos anormais.

Rafael Meloadded by Rafael Melo·1d
Theses

A culpa transcendente sobrevive imanentizada na cultura secular

Rafael Meloadded by Rafael Melo·4d
Theses

O homem psicológico substitui o homem religioso: pecado vira sintoma a ser tratado

Rafael Meloadded by Rafael Melo·4d
Authors

Philip Rieff

Sociólogo

Rafael Meloadded by Rafael Melo·4d
Theses

A dignidade é o valor do A4 — a pessoa que une os três domínios sem se reduzir a nenhum deles

Rafael Meloadded by Rafael Melo·4d
Theses

Uma dívida de um domínio só pode ser paga no mesmo domínio

Rafael Meloadded by Rafael Melo·5d
Quotes

Quero fechar hoje uma ideia que venho amadurecendo nesta doutrina dos três domínios, e que me parece ser, na verdade, o ponto mais decisivo de tudo: não existem saltos entre os domínios. Uma dívida criada no Corpo só se paga no Corpo; uma dívida criada no Ego só se paga no Ego; uma dívida criada na Imaginação só se paga na Imaginação. Cada domínio tem a sua própria moeda, e nenhuma quantia de uma moeda resgata uma dívida contraída noutra. O Corpo é a arte de unir — a moeda dele é o próprio corpo, o sangue, a geração. Por isso a guerra, que é a mais corpórea das dívidas, só se paga devorando os próprios filhos: nenhum dinheiro, nenhum pedido de desculpas, nenhuma revelação resgata uma vida tirada — só mais vidas resgatam. É a mesma lógica de Cronos comendo a própria prole, e é a mesma lógica, mais fria ainda, por trás do "olho por olho": a intuição ali não é vingança, é que o dano ao corpo só se salda em moeda de corpo. Mas Cronos devorando os filhos é ainda mais radical do que isso: é a morte da inovação, do novo, enquanto tal. Se unir é dobrar a pluralidade numa só coisa, então o Corpo, por sua própria natureza, tem que aniquilar tudo que ainda não foi dobrado — e é por isso que, no mito, o reinado de Cronos é também o estado anterior a qualquer domínio diferenciado do cosmos: só depois que Zeus escapa de ser devorado é que o mundo se reparte em esferas distintas. Cronos não recusa apenas uma moeda estrangeira — ele impede que uma alteridade distinta dele chegue a existir. A Imaginação é a arte de distinguir — a moeda dela é o próprio conhecimento. Por isso não se pode conhecer o mal sem se contaminar por ele: é o fruto do Éden, "conheceram que estavam nus" no mesmo instante em que comeram da árvore do conhecimento do bem e do mal. Essa dívida não se paga com sacrifício nem com reconhecimento social — só se paga com mais exposição ao que se conheceu. O caso mais difícil, e o que mais me interessa, é o do Ego. Eu tinha pensado, a princípio, que a moeda do Ego era o reconhecimento, a comparação — e que por isso a eleição do povo judeu só poderia ser paga com inveja, com emulação, como Paulo já dizia em Romanos 11: a queda de Israel levou a salvação aos gentios "para lhes incitar ciúme". Mas percebi que isso não é exato. Inveja é um sentimento, um estado — e um estado não paga uma dívida criada por um ato. E a eleição é um ato: Deus não simplesmente preferiu Israel como quem sente mais afeto por um filho, ele decidiu, chamou, separou, num tempo determinado. Se a dívida nasce de uma decisão, só uma decisão a resgata. É exatamente isso que o sacrifício de Cristo oferece — e o texto é cuidadoso o bastante para nunca falar em sangue quando trata desse aspecto específico da dívida: "ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo, tenho poder para dá-la e poder para retomá-la" (João 10:18); "não seja o que eu quero, mas o que tu queres" (Getsêmani). Não é um corpo que padece uma morte — é um homem que decide entregar a vida. Decisão paga decisão. E isso me levou a uma conclusão mais geral, que acho que é o verdadeiro núcleo da doutrina: quando um único acontecimento paga dívidas em mais de um domínio ao mesmo tempo — como a Cruz, que paga tanto a dívida de Corpo (a morte que o pecado devia) quanto a dívida de Ego (a eleição como preferência) —, ele não pode pagar as duas com o mesmo aspecto de si mesmo. Precisa oferecer, para cada dívida, o aspecto que fala a língua daquele domínio: o sangue derramado para o Corpo, a decisão livre para o Ego. Se tentasse pagar a dívida do Ego com o sangue, ou a dívida do Corpo com a decisão, isso seria um salto — e a doutrina inteira só se sustenta porque, olhando com atenção, não há um salto sequer.

Rafael Meloadded by Rafael Melo·5d
Topics

Doutrina do Domínio-Transparência-Transcendência de Si (Saturno-Sol-Netuno)

Rafael Meloadded by Rafael Melo·5d
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Da formação social do ego. O ego é uma força que cresce por meio do reconhecimento e se deprime por falta de perícia ou carinho com as outras pessoas, hostilidade ou ainda silêncio (disposição do domínio da imaginação). Quando encontramos uma situação onde um grupo de pessoas "faz a caveira do chefe ou de um colega", o que está acontecendo pode ser que o ego desta pessoa está crescendo por meio da opinião e reconhecimento dos colegas, porém por algum dos motivos já descritos anteriormente, ele se projeta frontalmente contra o ego do grupo e isso gera o desconforto e o ódio das pessoas. O melhor modo de lidar com esse tipo de situação é fazer com que o chefe ou o colega que está sendo queimado pelo grupo se comunique melhor e informe as motivações e frustrações que ele está passando de modo que, se ele está mal ou ansioso com um assunto, não deixe todo o grupo mal e ansioso. Isso acontece com frequência: o ego das pessoas em torno tende a imitar e repetir os movimentos do ego da autoridade. Por isso, se as pessoas não conseguem extrair inteligibilidade e humanidade de tais movimentos, isso pode formar ressentimento e fofocas.

Rafael Meloadded by Rafael Melo·5d